sábado, 2 de novembro de 2013

Divagações em um terminal de aeroporto + aprendendo a tomar expresso corretamente (parte 2)

Eu estou devendo cartas, muitas.
Tá difícil viver
Tá complicado se expressar.
Tá quase impossível encontrar com pessoas que fazem a maior falta.

Tá silencioso demais.
Tá esquisito demais.
Será que eu não consigo conversar sobre essas coisas? Essas coisas qualquer?
Tá tudo idiota demais

Mas o que é ser idiota?

adj. Diz-se da pessoa desprovida de inteligência.
Diz-se da pessoa com excesso de pretensão ou vaidade; tolo.
Que pode significar ou caracterizar ausência de inteligência; falta de discernimento; estúpido. 
Que não possui sentido ou valor; desinteressante.
Psiquiatria. Diz-se da pessoa acometida por idiotia. 
s.m. e s.f. Pessoa desprovida de inteligência; aquele ou aquela que não possui discernimento ou demonstra grande pretensão; ignorante. 
(Etm. do grego: idiotes)


To todo impaciente demais. Fechado demais.

Quando as coisas melhoram? Quando eu começo a me mexer?
Quando isso vai sair do papel?

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Divagações em um terminal de aeroporto + tomadas com voltagem diferente (parte 1)

Sven Fennema 


Olá, meu nome é Eduardo Ble.

E eu estou em um terminal de um voo super cedo, com quase nenhuma tomada que tenha a voltagem correta pra carregar o meu notebook. O único som que (infelizmente) faz aqui é de uma enorme britadeira usada para a reforma do aeroporto pela manhã, horário com menos movimento.

Mesmo com esse desconforto e quebra de perspectiva, ainda sim é bom se sentir como se eu estivesse no filme terminal. Repetindo que eu não estou fazendo uma obra pra tirar as cadeiras do lugar e montar minha cama, muito menos usar uma britadeira barulhenta que nem a...ah, a que está sendo usada agora.

Boas vibrações, boas vibrações.

Bom, o que eu queria falar é o seguinte:

Hoje eu encontrei um amigo...me faz pensar eu chamar ele de amigo, porque a gente se conhece faz pouquíssimo tempo, daquele tipo de pessoas que mesmo que faça um bom tempo que você a conheça, você conta nos dedos de uma mão quantas vezes se viram. As conversar nem são tão longas, mas a pessoa é tão cativante de conversar que são agradáveis."

Hoje eu o encontrei na rodoviária, esperando o ônibus pra vir pra cá. Ele entao disse:
- Cara, vou ser pai! - Com um sorriso no rosto.
Quando eu fui embora eu fiquei pensando, como uma pessoa que a gente vê tão poucas vezes em situações tão randômicas recebe tanta atenção nossa?
É bem bonito. Eu imagino encontrando ele daqui a 5 anos quando eu menos imaginava e ver ele contanto como anda a vida, ainda sim como se eu tivesse a mesma sensação de como foi conversar com ele horas atrás.
Eu falei: Olha, eu fico feliz quando eu te encontro, mas fico triste por as nossas conversas durarem tão pouco.
Tem gente que a gente conhece e que simplesmente é desse jeito: Alguém tratou de encaixar ela nos nossos dias, mas em poucos deles, com uma frequência bem diferente do que nós poderíamos imaginar. Talvez você seja uma pessoa assim pra alguém, mas afinal de contas, isso é apenas uma divagação de madrugada.

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Abre Aperta

Pessoas são...incríveis.

Eu não sei de uma palavra que pudesse se encaixar melhor. Não é nem por ela ser adequada, é por eu não saber mesmo. Eu acho as pessoas incríveis. Tenho visto tantas delas mostrando coisas belas, como o que elas podem fazer com a sua própria vida, com os talentos que possuem e com os seus gestos e palavras. Tão lindo não é?

Eu acho. Mas só acho.

Quando eu vejo pessoas como essas que eu descrevi, me dá uma vontade de conhece-las. É algo que eu gostaria mesmo, mesmo fazer. Porque não? Conviver por alguns minutos pode mudar o seu dia, talvez até seu modo de pensar, sua rotina.

Mas eu só penso.

Quando vejo pessoas tão pessoas e vejo minha vontade de conhece-las, me vêm de súbito a opressão. O que eu iria fazer com essa vontade? Não me vejo como um alguém que possa fazer outras pessoas se interessarem por mim. Você acha que isso é o suficiente? Você pensa mesmo que conseguiria, conseguiria sequer conversar?

Ah, a vontade de se expandir logo é substituída pela dúvida, ansiedade maldita e insegurança. Os três atributos estão equilibrados em proporções bem maiores do que aquilo que alguns minutos atrás se mostrava um desafio de motivação e oportunidade de conhecer alguém.

E eu só pensava. Pensava em tudo isso enquanto via o mundo girar, girar girar até passar e eu ficar. Fui vendo as pessoas fazerem coisas que a deixavam cada vez mais incríveis do que já eram, enquanto me colocava para fora da roda.

É o aperto do peito, aquele do qual o toque da coragem vem e tenta abrir a força. Conflito.

domingo, 18 de agosto de 2013

O homem mínimo

imagem: http://www.meghanhowland.com/


Tudo estava silencioso, como acontecia com frequência. Eu encarava a tela do computador, lendo as atualizações e se convencendo de que nada daquilo me interessava. Pensava que ou as pessoas publicavam demais sobre suas rotinas ou era eu que estava parado no tempo. Entretanto, um turbilhão de pensamentos e emoções batiam no meu conjunto de ossos e carne, reverberando sobre mim.

Meu corpo é uma prisão. Uma prisão que eu não consigo achar a chave.

Uma série de eventos aconteceram e me deixou do modo como estava naquele momento: Todas as tentativas que usei para manter seu interesse na vida acadêmica somente tiveram como efeito diminuir minha satisfação, gerando o afastamento da turma que havia pego o gosto da convivência, mesmo as vezes não expressando isso. Meus amigos estavam afastados, seja por eu ter me afastado por não haver reciprocidade de forma geral, por de certa forma não ser verdade quando insistiam se importar ou mesmo pelo fator da vida de faze-los ficarem ocupados com coisas mais importantes. Eu também me ocupei.
O cansaço com relacionamentos chegou a um ponto onde não pretendia mais correr atrás de ninguém, não tentar impressionar, ficar entrando em contato e começar conversas. Eu só estava ali.

As vezes não. As vezes nem estava mais em lugar algum.

Nos dias anteriores, voltando do trabalho de bicicleta, se aproximou da parte arborizada da universidade e estacionou sua bicicleta próxima a uma árvore, tirou a camisa e sentado, encostou suas costas em um tronco. Tudo estava silencioso naquele começo de tarde onde não havia ninguém. Não havia ninguém, só árvores, sua bicicleta, sua mochila e eu. Olhava de canto de olho para tudo ao redor e pensava que a natureza não fazia parte da sua rotina e toda aquela respiração das árvores me deixava curioso. Por fim, dormi.

Não tinha mais o que ouvir, não procurava músicas novas e ficava horas ouvindo meu set de música popular brasileira de setenta e bandas de instrumental post-rock. A música reverberava em mim também, como tudo o que tinha dentro de mim. A dor da memória também era uma emoção e me doía o tempo inteiro.

E noite passada, eu ouvi essas palavras:

- Você é um homem mínimo, Eduardo. Você não se veste desleixado, mas também não se veste pra impressionar. Suas ações, suas postagens no tumblr, no twitter, no facebook e até o jeito que você fala é mínimo! Você só pretende o essencial...isso é bonito.

- - - 
Em outra noite, eu li essas palavras:

- Edu, quando te vi dando a entrevista para a Rê vc foi minha lagarta listrada pela primeira vez. Eu não podia te tocar. Mas estava completamente maravilhada, como uma criança ao ver algo incrível pela primeira vez.
e por mais que eu pense em vc o tempo todo
sempre que penso...

parece a primeira vez, fico maravilhada.

- - - 

Três meses atrás, alguém tinha se apaixonado por mim.

- - - 

Mais meses atrás eu ouvi essas palavras:

- Ah, deixa disso

e então ela passou os dedos sobre o meu rosto. Eu fechei os olhos sentindo a direção que eles seguiam

- Vai ficar tudo bem.
 - - - 

Em uma viagem há sete meses, eu ouvi um mendigo dizer:

- E me despedindo de suas palavras, Eis que vem o amém.
- - - 

Há um ano estávamos apaixonados.

domingo, 7 de abril de 2013

A minha política


1- Doa o que doer, mas aconteça se tiver que ser assim.

2- Sempre acontece algo bom no dia-a-dia. Sempre.

3- Não interferir na felicidade dos outros, mesmo que a sua esteja em jogo.

4- Olhar pro céu.

5- Sorrir sempre, mesmo que tenha que doar algo. Doar sua tristeza, seu momento introspectivo acomodado.

6- Agradecer o que come e bebe, mesmo parecendo contraditório as vezes agradecer a Deus por cervejinha.

sábado, 8 de setembro de 2012

O homem que estourava no cais (3): O final do encontro


Foto tirada por Semelis


- Eu poderia falar durante horas! Você iria se cansar de toda essa bobagem...
- Assim como você está cansada?
- É...se eu fosse colocar tudo isso em um texto, seria o texto em que eu queria que todos lessem, mas eu tenho vergonha. Tenho vergonha pois é eu sei que o mundo é injusto, que tem pessoas que querem o meu bem, mas não estão perto para tal.

Ele abaixa a cabeça enquanto espera ela falar. Tal gesto lhe pareceu como uma permissão. Como se ele dissesse "estou ouvindo você". Seus ouvidos agora estavam abertos para ouvir o tanto de bobagens que ela fosse dizer.

- A gente faz coisas o tempo todo...
- todo o dia...
- E no fundo talvez o que aconteça é algo dentro da gente falando "esse não sou eu.". Eu estou fazendo isso, estou indo pagar minhas contas, estou indo pra minha faculdade, estou fazendo coisas. É o meu corpo que está fazendo, mas eu não sinto que sou eu. Só sinto que estou ligada no automático. Estou incomodada.
-Deixe-me fazer uma pergunta: Qual foi a última vez que você se sentiu relaxada e não dormiu logo em seguida?
- Como assim?
- No nosso dia-a-dia, nosso corpo já se acostumou tanto no ato de só descansarmos quando vamos dormir, que quando tentamos somente descansar, ele já entende que está na hora de fecharmos os olhos.
-...

Ele toma um gole d'agua e espera pacientemente. Não há pressa para nada. Por ter o timing dos momentos certos, ele diz:
- Triste não é?
- É mesmo.
- O que você quer fazer?
- Como assim?
- Você entendeu.
- Hmm, sabe o que eu queria? Queria saber se, em algum universo paralelo, você estar triste, se sentir triste ou desabafar de suas tristezas juntasse ao seu redor, pessoas que se sentissem como você. Não vou ser dramática ao extremo, mas eu tenho certeza que nesse momento eu arranjaria um bocado de amigos. Eu, eu tenho vergonha.
- Imagine só...
- Eu queria poder te dizer todas as coisas que eu sinto, eu poderia gastar muitas horas com isso! Mas...eu queria que isso chamasse a atenção de todas as pessoas das quais um dia eu conversei, um dia eu paguei mico. Eu queria a atenção de todas elas! Se elas estivessem me lendo, assim como eu talvez pudesse ler as tristezas delas, eu gostaria de me desculpar por tudo o que eu fiz um dia. Eu devo ter decepcionado tantas pessoas, amigo.
- Um dia eu tive um pensamento. Pensava que deveria ter um carro, pois assim eu poderia chamar meus amigos pra sair comigo. Ficaria mais fácil não é? Poderiamos sair pra onde quisermos, porque eu teria um carro...
- Isso não é tão importante assim, você sabe...
- As vezes não sinto que estou aqui...me sinto automático, como você falou.
- Eu queria que todos ouvissem isso, eu queria um pouco de atenção...
- As vezes eu só sinto que estou andando atráves das coisas...
- As vezes eu sinto que nada está de fato acontecendo...




quinta-feira, 16 de agosto de 2012

O homem que estourava no cais (2)



Ele estava sentado em sua cama, como o autor que escreve por entre essas letras agora. Sentado refletindo a tristeza e com um carregamento de pesos em seu minúsculo coração..
Então ele nem pensou, não queria fazer isso pois saberia que se desanimaria. Colocou a imaginação pra funcionar e se imaginou se vestindo de um pequeno palhaço. Ele saia de casa, andava calmamente até o shopping da vizinhança, então começava a se vestir e se maquiar na frente do espelho..

Seus olhos marejavam quando ele pensava o quão bonito seria quando ele saisse  do banheiro totalmente vestido de felicidade, com aquele olhar que está encarando o mundo pela primeira vez e quando tem o primeiro contato visual encarando o segurança do shopping. Eles se olham, curiosos um pelo outro. O palhaço então se vai.

O peso de seu coração pareceu ficar mais pesado por agora carregar a forte imagem em sua mente, quando o pequeno palhaço andava pelos ruas e parecia desorientado quanto a sua expressão. Não sabia se deveria sorrir como todo o palhaço faz ou se deveria parecer normal. Pensava assim por achar que não se sentia preparado para viver completamente aquele momento e, se vivesse, seria só por alguns minutos que não retornariam. Mas procurando ignorar tais pensamentos, decidiu não fazer nenhum dos dois e ser o que ele era. Logo descobriu que essa não foi uma decisão ruim, pois a tanto andar como queria, sorriu para si mesmo.

Agora meu mundo me parece mais triste por eu não ser o pequeno palhaço. Mas eu poderia ser que nem ele? Poderia eu deixar de olhar tão para frente para tentar enfrentar o agora? Poderia brincar de andar com os meus pés virados como Chaplin fazia e olhar para as pessoas...

...tem alguma maquiagem aqui por perto?