Meu pai as vezes assobiava na rua, como se esquecesse do presente divorciado e voltasse ao tempo da juventude. Como se voltando para alguém, ele andava enquanto olhava para a morena da rua, e cantava:
-Mulher, se Deus não criasse você, Ele próprio custava a crer...
E o que o rosto virava tentando se fazer de díficil, o corpo brincava no ritmo do assobio. Meu pai era o garanhão da parada. E todo mundo cantava em coro:
-Formosa! Ele também sabe dançar e lá ele se vai...
Em uma vida tão díficil como essa, meu pai me ensinou a ser um cara mais leve. Ensinou a não ser ingrato, pois todos sabem sambar no compasso da canção e um dia vão embora, por esquecimento. Então no final ele sempre me fazia repetir:
-Tá acabada essa parada e agora cada qual no seu lugar. Se seguir os conselhos do seu velho Pinheiro, quem vai fazer o coro vai falar:
- Láia, laía...laíaláia...láia, láia.
quinta-feira, 28 de junho de 2012
quinta-feira, 21 de junho de 2012
(23) Sonidos de las Noches - Adios Nonino
Eu pensei durante um tempo onde eu deveria registrar essa obra (não se limita a um vídeo), e pensei que nenhuma rede social iria recebe-lo como eu o recebi (literalmente parando tudo o que tinha pra fazer). Então a vontade de compartilhar aqui.
Com vocês, Gotan Project e Astor Piazzolla com Adios Nonino
Tudo bem que essa versão ficou de certa forma...tímida se comparada à original. Pórem ela foi modificada na proporção certa, mantendo a beleza, a intensidade de cada passo de tango, cada movimento e olhar do par.
Por isso e outras coisas que é difícil não amar o tango...muito difícil.
Cedila
Um dia eu te encontrei. Te encontrei de novo.
Era uma tarde onde pessoas mais por dentro das artes diriam que seria um dia de verão, pelas cores que continham no ambiente ao redor. Porém eu discordo, ao pensar que eu não sentia calor nenhum no momento em que eu te vi. Tudo o que eu senti foi medo. E junto com o medo veio o gelo que manteve meu corpo no mesmo lugar durante todos aqueles segundos.
Pois você estava com ela, e o que antes parecia ser uma ameaça de tamanho microscópico agora se tornava uma montanha onde eu não conseguiria ver além do que eu deveria fazer no presente. E então eu vi vocês dois juntos, de mãos dadas andando como um belo casal que muitos admiravam. Eu os vi. Vi você e sua expressão não revelava incomodo nenhum por estar junto a ela, porém você também não sorria. Será que você está feliz com ela? Será que você não precisa mais de mim e, e só me guarda como lembrança? Talvez não, eu imaginava que você estivesse mais feliz do que o que eu vejo agora. Você não havia criado alguma expectativa porém eu imaginava que se fosse pra acontecer, teria que ser de uma forma mais explosiva. Uma forma cheia de carinhos e beijos e abraços. Não, voCê não deve estar tão feliz assim. Ou eu estou enganado? Eu posso estar enganado.
Meus olhos encontraram vocês juntos e eu de súbito não me movi, não respirei. Meu corpo nem sequer entrou em algum tipo de conflito como "O que devemos fazer agora, estamos indecisos!" pois foi como se o tempo quisesse parar para eu atestar o final. A primeira coisa que veio a minha mente foi "se ele me olhar, é o fim". E então o começo da minha luta contra o meu corpo para se movimentar começou. Que se mova algo agora! Que você estrague e me coloque na pior situação possível antes que ele me veja! Meu Deus por favor por favor não faça isso agora, vai!!!! anda
Ele me viu. Virou o pescoço em minha direção como se tivesse sentido meu desespero e me encarou.
Eu olhei pra ele, assustado como se fosse um estranho no meu quarto bloqueando a minha porta.
eu, devo me mexer?
O...o que eu faç...
ele continuou me olhando e então
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imagem feita pelo usuário whathisname
terça-feira, 19 de junho de 2012
Idéias de graça nº2
Ideias não tem mais acento né? Tinha esquecido.
E se alguém criasse uma história em um universo musical brasileiro? Por exemplo se alguém criasse uma personagem como o Cartola que se apaixona por Bárbara do Chico Buarque mas antes tinha uma relação com a Risoflora do Chico Science e que vendia Maco (Chico Science e Gilberto Gil)? O João Sabino de Gilberto Gil que é conhecido da mulher de Esquadros da Calcanhoto e assim vai.
Seria uma loucura porque, se você parar pra pensar, os personagens que tem no nosso universo musical nacional é de incontável valor e profundidade. E eu nem consigo pensar em número quanto são. Seria uma história deveras interessante se alguém tivesse culhões de cria-la. E estudar muito, muito mesmo.
E se alguém criasse uma história em um universo musical brasileiro? Por exemplo se alguém criasse uma personagem como o Cartola que se apaixona por Bárbara do Chico Buarque mas antes tinha uma relação com a Risoflora do Chico Science e que vendia Maco (Chico Science e Gilberto Gil)? O João Sabino de Gilberto Gil que é conhecido da mulher de Esquadros da Calcanhoto e assim vai.
Seria uma loucura porque, se você parar pra pensar, os personagens que tem no nosso universo musical nacional é de incontável valor e profundidade. E eu nem consigo pensar em número quanto são. Seria uma história deveras interessante se alguém tivesse culhões de cria-la. E estudar muito, muito mesmo.
domingo, 20 de maio de 2012
(6) Representação da Semana
Todo mundo conhece o filme Titanic, mas poucas pessoas sabem que teve a continuação, Titanic 2. Mas quando se fala da populariedade de um filme que teve um número considerável de versões, diretores diferentes e produção, é legal lembrar desse filme de 1929. O nome é Atlantic (Atlântico), um filme britânico fazendo referência ao desastre do Titanic e que por isso foi proibido na época. O interessante desse filme é que ele foi um dos primeiros filmes britânicos que tinham som ( ao pensar que a circulação de filmes com som começou no mesmo ano que Titanic foi lançado ) e que foi produzido em várias línguas como inglês, alemão e mais tarde francês.
Se fosse comparar com o conhecido Titanic de 1997, Rose pelo que parece vai ter uma viagem bem solitária pela frente. Nada romântico na época, haha.
domingo, 29 de abril de 2012
O senhor que estourava no cais (0)
. . .Giros, giros, giros, giros. . .
Ele girava com os braços abertos, olhando para cima vendo os andares do prédio rodarem ao seu redor. O mundo todo rodava, ele se mantinha no centro de uma tarde ao horário das quatro horas com nuvens. Ele rodava só por rodar. Haveria de isso algum dia ter um motivo? Haveria de voltarmos novamente à época onde tentavamos racionalizar os sentimentos? Isso não acontecia com ele, mas uma parte dele gostaria um pouco disso.
Ele parou e continuou vendo o mundo girar, girando, girando, girando. Cruzou suas pernas, sentou e deitou no chão, olhando como se seus últimos dias naquele momento fossem como esses segundos, os segundos que terminariam quando tudo tivesse parado de girar, tudo estivesse nos eixos novamente. Ele fechou os olhos e achou novamente o peito sendo pressionado por dentro. Algo acontecia e ele não sabia explicar.
O giramundo. Ele estourava suas bolhas de sabão depois de um momento de observação. Pensava como elas adquiriam aquele formato, como saiam do círculo e principalmente, porque elas estavam flutuando. Isso tudo resumia o seu estado no momento mas na verdade ele não tinha um estado, ele não tinha uma nação, ele não tinha localização para aquele periodo. Acontecia algo com ele, eu não sei explicar. Algo em seu peito o inclinava para frente e para trás ao mesmo tempo. Ele começou a estourar suas bolhas, estourando sem pensar duas vezes, nem mesmo uma vez.
Estourava seu choro
Estourava sua frustração
Estourava sua raiva
Estourava-se, estourava tudo dentro de si, e sentia o pequeno "plock"
Ninguém sabia explicar o que estava acontecendo
Mais tarde, o senhor Giramundo voltou à sua história.
créditos à imagem aqui
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